Qual sua pretensão salarial? O que responder na entrevista
Pesquise a faixa de mercado para a vaga antes da entrevista e responda com uma faixa cujo piso seja o valor que você aceitaria. Por exemplo: “Pelo que pesquisei para analista pleno em São Paulo, e considerando minha experiência com SAP, minha pretensão fica entre R$ 7.500 e R$ 8.500 brutos em regime CLT, mas quero entender o pacote de benefícios de vocês também.” Deixe claro se o valor é bruto ou líquido, CLT ou PJ, e deixe espaço para negociar os benefícios.

Por que a empresa pergunta a pretensão salarial?
Por dois motivos práticos. Primeiro, para filtrar: se a vaga paga R$ 5.000 e você pede R$ 9.000, é melhor os dois saberem logo. Segundo, para posicionar a oferta: se você pede abaixo da faixa, a empresa pode oferecer o que você pediu, e não o que ela pagaria.
No Brasil, a pergunta aparece cedo, muitas vezes antes mesmo da entrevista, como campo obrigatório no formulário de candidatura. Também costuma surgir na triagem por telefone com o RH. Por isso vale ter a resposta pronta desde que você se candidata.
Como descobrir a faixa certa?
Cruze pelo menos três fontes, porque cada uma tem vieses:
- Guias salariais de consultorias de recrutamento, como os que a Robert Half e a Michael Page publicam todo ano, por cargo e porte de empresa.
- Glassdoor e LinkedIn, com salários informados por funcionários. Úteis para comparar empresas específicas.
- Sites que usam dados oficiais de admissões, como o Salario.com.br, que ajudam a ter uma referência por cargo e região.
- Sua rede. Pergunte a colegas da área qual faixa eles veem no mercado, sem pedir o salário de ninguém.
Ajuste pela sua realidade: cidade (São Paulo e interior do Nordeste não pagam igual), porte da empresa, setor e o quanto você domina o que a vaga pede.
Dica
Defina três números antes da entrevista: o mínimo que você aceita, o valor que seria bom e o valor ideal. Sua faixa vai do “bom” ao “ideal”. O mínimo fica só na sua cabeça.
CLT ou PJ: compare na mesma base
O mesmo número não vale a mesma coisa nos dois regimes. Na CLT, além do salário, você recebe 13º salário, férias remuneradas com adicional de um terço e depósito de 8% de FGTS, fora os benefícios. Como PJ, você emite nota fiscal, paga seus impostos e contador, e não tem nada disso, a menos que esteja no contrato.
Uma regra prática muito usada no mercado é que o valor PJ precisa ser de 40% a 60% maior que o salário bruto CLT para ficar equivalente. Faça a conta com os seus números antes de responder, e sempre diga em qual regime está falando: “R$ 8.000 CLT” e “R$ 8.000 PJ” são propostas muito diferentes.
Exemplos de resposta
Exemplo — Na entrevista, com faixa pesquisada
“Pesquisei vagas parecidas na região e a faixa para analista de controladoria pleno fica entre R$ 7.000 e R$ 9.000. Pela minha experiência com consolidação de balanço, minha pretensão é de R$ 8.000 a R$ 8.800 brutos, CLT. Mas o pacote todo pesa na decisão, então gostaria de conhecer os benefícios.”
Exemplo — Quando você prefere ouvir a faixa da empresa primeiro
“Tenho uma faixa em mente, mas antes gostaria de entender melhor as responsabilidades e o pacote. Vocês têm uma faixa definida para a vaga?”
Se insistirem, responda com a sua faixa. Evitar a pergunta duas vezes seguidas passa desconforto, não estratégia.
Exemplo — Primeiro emprego ou estágio
“Como é minha primeira oportunidade na área, estou mais focado no aprendizado. Pelo que vi, a bolsa para estágio em engenharia fica entre R$ 1.800 e R$ 2.500 na região, e estou dentro dessa faixa.”
Exemplo — Proposta como PJ
“Hoje sou CLT com R$ 10.000 brutos, mais plano de saúde e VR. Para uma contratação PJ ficar equivalente, preciso de algo entre R$ 14.500 e R$ 15.500 por mês, considerando impostos, contador e a ausência de 13º, férias e FGTS.”
E no formulário de candidatura?
Muitos formulários exigem um número único. Coloque o valor do meio da sua faixa, e não o mínimo. Se houver um campo de observação, especifique “bruto, CLT, negociável conforme benefícios”. Evite colocar R$ 0 ou R$ 1 para pular o campo: alguns sistemas de triagem filtram por faixa salarial, e um valor absurdo pode tirar você do processo.
Erros comuns
- Dizer o salário atual quando perguntam a pretensão. São perguntas diferentes. Se o recrutador perguntar o salário atual, responda com honestidade, mas deixe claro qual é a sua pretensão para esta vaga.
- Não saber se o valor é bruto ou líquido. No Brasil, fala-se em bruto. Pedir “R$ 6.000” pensando no líquido e receber R$ 6.000 brutos é perder quase um quarto do que você esperava.
- Pedir abaixo por medo. A oferta raramente vem acima do que você pediu.
- Justificar com necessidades pessoais. “Tenho aluguel e financiamento” não é argumento. Mercado e experiência são.
- Não considerar os benefícios. Plano de saúde, VR/VA, PLR e bônus podem valer vários salários por ano.
Depois que a proposta chegar, o jogo muda: é hora de negociar, e não só de informar uma faixa.
Perguntas frequentes
Posso responder “a combinar”?
Numa primeira triagem, até pode. Na entrevista, raramente funciona: o recrutador vai insistir, e a resposta evasiva passa insegurança. Chegue com uma faixa.
Devo dar uma faixa ou um número?
Uma faixa, de 10% a 15% de amplitude, com o piso no valor que você realmente aceitaria. Uma faixa larga demais (“de R$ 5.000 a R$ 10.000”) mostra que você não pesquisou.
E se a empresa oferecer abaixo da minha pretensão?
Pergunte se há flexibilidade no salário ou em outros itens: benefícios, bônus, data da próxima revisão, home office. Se nada disso mudar, você decide se o valor abaixo compensa pelo que a vaga oferece em aprendizado ou crescimento.
Posso mudar minha pretensão ao longo do processo?
Pode, se algo mudar: você descobriu que a vaga tem mais responsabilidades do que o anúncio dizia, por exemplo. Explique o motivo. Subir sem justificativa depois de já ter dado um número costuma pegar mal.
Coloque em prática
Aplique as dicas deste artigo com a ferramenta gratuita da Epimoni: Abrir o simulador de entrevista