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CLT ou PJ, qual compensa mais?

Depende do valor. Para empatar com um salário CLT, a proposta PJ costuma precisar ser de 40% a 60% maior que o salário bruto, porque como PJ você perde 13º, férias remuneradas com 1/3, FGTS de 8% e benefícios, e passa a pagar impostos, contador e plano de saúde. Exemplo: R$ 10.000 CLT com VR e plano de saúde equivalem a algo entre R$ 14.500 e R$ 15.500 como PJ.

Profissional comparando os critérios de uma proposta CLT e de uma proposta PJ


O que muda entre CLT e PJ na prática?

Na CLT, você é empregado com carteira assinada. A empresa paga seu salário e, por lei, também o 13º, as férias com adicional de um terço e o depósito mensal de 8% no FGTS. Você tem ainda aviso prévio, seguro-desemprego e multa de 40% sobre o FGTS em caso de demissão sem justa causa.

Como PJ, você abre uma empresa (CNPJ) e presta serviço emitindo nota fiscal todo mês. Não existe 13º, férias pagas nem FGTS, a menos que o contrato preveja algo parecido. Em troca, a carga de impostos costuma ser menor e o valor mensal, maior.

CLT PJ
Vínculo Carteira assinada Contrato de prestação de serviço
13º salário Sim Não (salvo se negociado)
Férias + 1/3 Sim, 30 dias pagos Só se o contrato prever descanso remunerado
FGTS 8% ao mês, depositado pela empresa Não
Descontos INSS e Imposto de Renda na folha Impostos da empresa, INSS do pró-labore, contador
Proteção na demissão Aviso prévio, multa do FGTS, seguro-desemprego O que estiver no contrato
Benefícios Geralmente VR/VA, plano de saúde, PLR Raramente; você paga os seus

Como calcular PJ para CLT?

Não compare o valor mensal com o valor mensal. Compare o que cada regime coloca no seu bolso em um ano, somando tudo o que a CLT paga além dos 12 salários e subtraindo todos os custos que o PJ tem.

Pelo lado da CLT, entram:

  • 12 salários (um deles pago como férias);
  • o 13º salário;
  • o adicional de 1/3 de férias;
  • 8% de FGTS sobre salário, 13º e férias;
  • os benefícios: VR/VA, plano de saúde, PLR, auxílio home office.

Pelo lado do PJ, saem:

  • os impostos da empresa, normalmente pelo Simples Nacional;
  • o INSS sobre o pró-labore;
  • o contador, que em geral custa algumas centenas de reais por mês;
  • um plano de saúde individual ou por adesão;
  • o mês que você deixa de faturar quando tira férias, se o contrato não pagar esse período.

Dica

Uma conta de guardanapo ajuda: some 13º, 1/3 de férias e FGTS e você já chega a cerca de 14,4 salários por ano na CLT, antes dos benefícios. Por isso o PJ precisa ser tão maior para empatar.


Exemplo de conta, R$ 10.000 CLT contra R$ 14.000 PJ

Imagine uma analista de dados sênior em São Paulo. Ela tem uma proposta CLT de R$ 10.000 brutos, com VR de R$ 900 por mês e plano de saúde que custaria uns R$ 800 mensais se ela pagasse sozinha. A outra proposta é PJ, de R$ 14.000 por mês.

Valores anuais e aproximados, arredondados, só para mostrar a lógica:

Item (por ano) CLT R$ 10.000 PJ R$ 14.000
Salário ou faturamento R$ 120.000 R$ 168.000
13º salário R$ 10.000 —
1/3 de férias R$ 3.300 —
FGTS (8%) R$ 10.700 —
INSS e IR na folha − R$ 34.000 —
Simples Nacional (Anexo III, faixa inicial) — − R$ 10.100
INSS do pró-labore — − R$ 5.200
Contador — − R$ 3.600
VR/VA e plano de saúde + R$ 20.400 − R$ 10.800 (plano pago por ela)
30 dias de férias sem faturar — − R$ 12.400
Total aproximado ≈ R$ 130.000 ≈ R$ 126.000

Resultado: mesmo com R$ 4.000 a mais por mês, o PJ de R$ 14.000 fica um pouco abaixo da CLT. O ponto de equilíbrio, nesse caso, está perto de R$ 14.500. Para valer a pena de verdade, considerando o risco de perder o contrato sem aviso, ela deveria pedir algo entre R$ 15.000 e R$ 15.500.

Evite

Usar esse exemplo como tabela fixa. O resultado muda com a sua faixa de salário, com os benefícios da proposta, com a atividade do seu CNPJ e com as regras de imposto do ano. Leve os seus números a um contador antes de bater o martelo.


Como funcionam os impostos do PJ?

O caminho mais comum para quem presta serviço sozinho é uma empresa no Simples Nacional. As atividades intelectuais caem, em geral, no Anexo III ou no Anexo V:

  • Anexo III começa com alíquota de 6% na primeira faixa de faturamento e sobe conforme a receita cresce.
  • Anexo V começa bem mais alto, na casa dos 15,5%.
  • O Fator R decide entre os dois para várias atividades: se a folha de pagamento (incluindo o seu pró-labore) for igual ou maior que 28% do faturamento, a empresa é tributada pelo Anexo III. Por isso muita gente define um pró-labore em torno de 28% do que fatura.

Sobre o pró-labore, você recolhe INSS como contribuinte individual. O restante do lucro pode ser distribuído como lucro, com regras próprias de tributação que mudaram recentemente para valores altos, mais um ponto para conferir com o contador.

E o MEI? Ele tem imposto fixo e baixo, mas o limite de faturamento é de R$ 81 mil por ano (cerca de R$ 6.750 por mês), e várias atividades intelectuais, como programação e consultoria, não são permitidas. Para a maioria das propostas PJ de profissionais qualificados, MEI não serve. Confira as atividades e limites atualizados no Portal do Empreendedor e as regras do Simples Nacional na Receita Federal.


Quanto pedir como PJ?

Parta do salário CLT que você aceitaria e aplique a regra dos 40% a 60%:

  • Mais perto de 40% quando a proposta CLT concorrente tem poucos benefícios, ou quando o contrato PJ já inclui recesso remunerado, plano de saúde ou algum "13º".
  • Mais perto de 60% quando a CLT tem bons benefícios (plano de saúde para a família, PLR, VR alto) ou quando o contrato PJ pode ser encerrado com poucos dias de aviso.

Na hora de responder, sempre diga o regime junto do número. "R$ 12.000" sozinho é ambíguo. Veja como formular na conversa com o RH no nosso artigo sobre pretensão salarial.

Exemplo — Resposta ao RH que ofereceu PJ

"Hoje sou CLT com R$ 10.000 brutos, plano de saúde e VR. Para uma contratação PJ ficar equivalente, considerando impostos, contador e a ausência de 13º, férias e FGTS, preciso de R$ 15.000 por mês. Vocês preveem recesso remunerado no contrato? Isso muda a minha conta."

Além do valor, negocie o contrato: prazo de aviso para encerramento (30 dias é o mínimo razoável), recesso anual pago, reajuste anual e quem paga equipamentos. Se quiser ir além do salário, veja como negociar benefícios.


Quando o PJ compensa e quando é tiro no pé?

Compensa quando o valor passa com folga do ponto de equilíbrio, quando você tem reserva de emergência para alguns meses sem contrato, e quando a flexibilidade tem valor para você: atender mais de um cliente, trabalhar para empresa de fora do Brasil, organizar a própria agenda.

Pode ser tiro no pé quando o valor mal empata com a CLT, quando você depende de um único contrato, ou quando a "PJ" é só uma CLT disfarçada: horário fixo, chefe direto, exclusividade, mesmas obrigações de um funcionário. Essa prática, a pejotização, pode caracterizar vínculo de emprego, mas brigar por isso depois raramente é o caminho que você quer. Melhor negociar bem na entrada.

Dica

Se for PJ, trate parte do valor como seu próprio 13º e suas férias: separe todo mês cerca de 15% a 20% numa reserva. Quem gasta o valor cheio sente o baque no primeiro mês sem faturar.


Perguntas frequentes

Quanto um PJ precisa ganhar para valer mais que a CLT?

Como regra prática, de 40% a 60% acima do salário bruto CLT. A porcentagem exata depende dos benefícios da CLT, dos impostos do seu CNPJ e de o contrato PJ pagar ou não recesso.

PJ tem direito a férias e 13º?

Não por lei. Só se estiver no contrato de prestação de serviço. Muitas empresas oferecem recesso remunerado de 15 a 30 dias para PJ, então vale perguntar e negociar.

Posso ser PJ como MEI?

Só se a sua atividade estiver na lista permitida e o faturamento ficar dentro do limite anual do MEI. Profissões intelectuais como desenvolvedor, consultor ou analista geralmente precisam de outro enquadramento, como ME no Simples Nacional.

Quanto custa manter um CNPJ?

Além dos impostos, conte com contador (algumas centenas de reais por mês, dependendo da cidade e do serviço), eventuais taxas municipais e, se quiser, um plano de saúde empresarial. Peça orçamento a dois ou três contadores antes de aceitar a proposta.

Qual regime é melhor para quem está começando a carreira?

Em geral, a CLT. Ela dá previsibilidade, FGTS e proteção em caso de demissão, que pesam mais quando a reserva financeira ainda é pequena. O PJ faz mais sentido quando você já tem experiência de mercado e poder de negociação.

Coloque em prática

Aplique as dicas deste artigo com a ferramenta gratuita da Epimoni: Preparar minha negociação salarial