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Como trabalhar na França sendo brasileiro em 2026

Para trabalhar na França sendo brasileiro sem cidadania europeia, você precisa de um visto de longa duração que autorize o trabalho: em geral, a empresa francesa pede a autorização de trabalho antes, ou você se encaixa numa via "Talent" para perfis qualificados. Brasileiros de 18 a 30 anos têm ainda uma porta que a Espanha e a Itália não oferecem: o visto férias-trabalho6. Com passaporte europeu, você trabalha na França sem nenhuma autorização.

Corgi segurando um currículo e uma bandeira da França diante da Torre Eiffel, pronto para trabalhar na França

Regras verificadas em 10 de outubro de 2026

Regras de visto, limites salariais e procedimentos mudam com frequência. Este guia foi verificado em 10/10/2026 nas fontes oficiais listadas no fim da página. Antes de qualquer passo, confirme cada ponto em France-Visas e Service-Public.fr, na A sua Europa se você tem passaporte da UE, ou no consulado da sua jurisdição.

A França paga o maior salário mínimo dos três destinos desta série, mas pede francês na maior parte das vagas e endureceu as exigências de integração em 2026. Este guia junta o visto, a busca de vaga e o currículo, que os outros sites tratam separados.


Como está o mercado de trabalho na França em 2026?

O desemprego francês subiu para 8,3% no segundo trimestre de 2026, o nível mais alto desde 2020, e chega a 21,6% entre os jovens de 15 a 24 anos1. As regiões com menos desemprego são a Bretanha e o Pays de la Loire, ambas com 6,8%, e Paris fica em 6,6%2.

As empresas previam 2,28 milhões de projetos de contratação em 2026, 6,5% a menos que em 202518. Delas, 43,8% eram consideradas difíceis de preencher e 41% eram contratos por tempo indeterminado, o CDI3. A Île-de-France, região de Paris, concentra o maior número de projetos, 388.806, seguida de Auvergne-Rhône-Alpes, com 255.4073.

Quais profissões estão em falta na França?

As profissões com mais projetos de contratação em 2026 são ajudante de cozinha (97.100), garçom (93.800), trabalhadores do vinho e da fruticultura, agentes de limpeza e cuidadores de idosos (69.500)3. Técnicos de enfermagem (aides-soignants), com 62.100 projetos, e cozinheiros também aparecem no topo3.

A lista oficial de métiers en tension, fixada pelo decreto de 21 de maio de 2025 e definida região por região, inclui enfermeiros, técnicos de enfermagem, engenheiros de TI, cozinheiros, pedreiros, soldadores e eletricistas, conforme a região4. Para uma profissão dessa lista na região da vaga, o pedido de autorização de trabalho não pode ser recusado com base na situação do mercado4.


Brasileiro precisa de visto para trabalhar na França?

Sim, se você não tem cidadania europeia. Veja as vias principais.

Contrato com autorização de trabalho

A empresa pede a autorização de trabalho online, na plataforma ANEF do Ministério do Interior, antes da sua chegada. Com ela aprovada, você pede o visto de longa duração (VLS-TS) no consulado. Fora das profissões em falta, a empresa precisa mostrar que divulgou a vaga e não achou candidato adequado. O salário tem que ser pelo menos o SMIC.

Cartões "Talent" (o antigo Passeport Talent)

É a via de quem tem diploma e salário alto, e a empresa não precisa pedir autorização de trabalho5. Os limites que circulam nos sites brasileiros se confundem porque são categorias diferentes:

  • Talent salarié qualifié: salário de pelo menos 39.582 euros brutos por ano, contrato de mais de 3 meses e diploma de mestrado obtido na França5.
  • Talent Cartão Azul UE: salário de pelo menos 59.373 euros brutos por ano, contrato de pelo menos 6 meses e diploma de 3 anos de curso superior ou 5 anos de experiência na área5.
  • Talent pesquisador: mestrado e convênio de acolhimento com o instituto de pesquisa5.

Para quem se formou no Brasil e não estudou na França, o Cartão Azul é o caminho realista nessa família.

Visto férias-trabalho (PVT)

A França tem acordo de férias-trabalho com o Brasil, pelo decreto 2018-191, para jovens de 18 a 30 anos6. O visto vale 1 ano e permite trabalhar durante a viagem, desde que o trabalho não seja o motivo principal da estadia6. Há cota anual, então acompanhe a abertura dos pedidos no France-Visas.

Estudante que fica para trabalhar

Quem conclui um mestrado na França pode pedir um cartão de busca de emprego de 1 ano, não renovável, com liberdade para trabalhar7. Um emprego ligado ao curso e com salário acima de 2.800,53 euros brutos por mês dispensa a autorização de trabalho7.

O que mudou em 2026 para quem quer ficar

Desde 1º de janeiro de 2026, o primeiro cartão de residência plurianual exige francês nível A2 e o cartão de residente de 10 anos exige nível B18. Também é preciso passar num exame cívico de 40 perguntas, com nota mínima de 329. Isso não impede o primeiro visto, mas pesa no plano de longo prazo.

Quanto custa o visto de trabalho para a França?

Desde 1º de maio de 2026, o visto VLS-TS custa 300 euros, ou 100 euros na tarifa reduzida10. O primeiro cartão de residência custa 350 euros10. Desconfie de guias com valores antigos: a taxa subiu.

Quem tem passaporte europeu

Com cidadania italiana, portuguesa ou de outro país da UE, você não precisa de cartão de residência nem de autorização de trabalho na França11. A partir de 3 meses, a estadia depende de documento válido e de não representar ameaça à ordem pública, e a residência permanente vem depois de 5 anos11. A empresa contrata você como contrataria um francês.

Seu perfil Via Quem pede
Brasileiro com oferta de emprego Autorização de trabalho + VLS-TS salarié A empresa, na ANEF
Brasileiro qualificado, salário alto Talent Cartão Azul UE Você, com o contrato
Brasileiro de 18 a 30 anos Férias-trabalho (PVT) Você, no France-Visas
Mestrado feito na França Cartão de busca de emprego ou Talent salarié qualifié Você
Cidadão da UE Nenhuma autorização Ninguém

Onde procurar vaga na França?

Site Para que serve
France Travail Serviço público de emprego, o maior banco de vagas
Indeed France O maior agregador
LinkedIn Jobs Cargos de gestão, tecnologia e vagas internacionais
Welcome to the Jungle Startups e tecnologia
HelloWork Generalista forte fora de Paris
APEC e Cadremploi Executivos e profissionais de nível superior (cadres)
1jeune1solution Portal do governo para menores de 30 anos
EURES Vagas europeias, para quem tem passaporte da UE

Para indústria, logística, construção e hotelaria, as agências de trabalho temporário (intérim) como Adecco, Randstad e Manpower são a porta de entrada mais rápida. O Monster francês, que aparece em guias antigos, não funciona mais como site de vagas.

Evite

Para se inscrever no France Travail, quem não é europeu precisa de um documento de residência que autorize o trabalho; só o visto não basta. Não adianta tentar se cadastrar ainda no Brasil.


Como fazer currículo francês?

O CV francês é curto e objetivo:

  • Uma página para quem tem menos de dez anos de carreira, duas no máximo para os demais. É prática de mercado.
  • Foto, idade, estado civil e nacionalidade não são obrigatórios. O Código do Trabalho proíbe excluir candidatos por esses critérios, e a foto está saindo de moda.
  • Título no topo com o cargo que você busca, igual ao da vaga.
  • Situação de visto: diga logo se você tem PVT, Cartão Azul aprovado ou passaporte europeu.
  • Idiomas com nível do Quadro Europeu (A2, B1, B2, C1), que é como o recrutador francês lê.

A lettre de motivation (carta de motivação) ainda é pedida com frequência, mais do que no Brasil. Ela é curta, em três blocos: você, a empresa, o que vocês fazem juntos. Os princípios do guia de como fazer carta de apresentação valem, em francês formal.

Comece pelo guia de como fazer um currículo e adapte. Muitas empresas francesas usam ATS: veja o que muda no guia de currículo ATS e teste o arquivo na análise de currículo da Epimoni.

Precisa falar francês para trabalhar na França?

Para a maioria das vagas, sim, em nível que permita atender e trabalhar em equipe. Cozinha, limpeza e obra aceitam francês básico; saúde, comércio e escritório exigem francês fluente. As exceções são vagas de tecnologia e de multinacionais em Paris, onde o inglês pode bastar no começo. Para a entrevista por vídeo, veja as dicas de entrevista online.


Quanto se ganha na França?

O salário mínimo francês, o SMIC, é de 1.867,02 euros brutos por mês desde 1º de junho de 2026, cerca de 1.477,93 euros líquidos, para 35 horas semanais12. Pelo câmbio PTAX de 9 de outubro de 2026 (R$ 5,58 por euro), são cerca de R$ 10.430 brutos e R$ 8.250 líquidos13. A hora mínima é de 12,31 euros brutos12.

No setor privado, o salário líquido mediano em 2024 foi de 2.190 euros por mês, cerca de R$ 12.230, e o médio, de 2.733 euros1413. A diferença entre bruto e líquido é grande na França: use o simulador oficial da URSSAF para calcular o seu caso.

Na contratação, confira dois pontos. O período de experiência do CDI vai até 2 meses para funcionários e operários, 3 meses para técnicos e 4 meses para cadres15. E a empresa tem que oferecer plano de saúde complementar (mutuelle) e pagar pelo menos 50% dele16.

Quem é contratado do exterior pode ter direito ao regime fiscal dos impatriados, que isenta um bônus de impatriação até 31 de dezembro do 8º ano depois da chegada, se você não foi residente fiscal na França nos 5 anos anteriores17. Se o contrato não prevê o bônus, você pode optar por um valor fixo de 30% da remuneração líquida19.

E o custo de vida?

O aluguel em Paris é muito mais alto que no resto do país, e a cidade tem controle de aluguel. Lyon, Toulouse, Nantes e Rennes equilibram melhor salário e moradia. Com cartão de residência válido, você pode pedir o auxílio-moradia da CAF, que não exige tempo mínimo de residência. Antes de aceitar, use o guia de quanto pedir de salário.


Primeiros passos para trabalhar na França

  1. Ainda no Brasil: a empresa obtém a autorização de trabalho (salvo Talent ou PVT) e você pede o visto no France-Visas.
  2. Nos 3 meses depois da chegada, valide o VLS-TS online na ANEF20. Cidadão europeu pula esta etapa.
  3. Compareça ao OFII e assine o contrato de integração, se a sua autorização exigir8.
  4. Arrume um comprovante de endereço, pedido em todas as etapas seguintes.
  5. Abra conta em banco e pegue o RIB para salário, saúde e CAF.
  6. Peça o número da previdência social (NIR) e crie a conta no ameli.
  7. Entre na mutuelle da empresa.
  8. Crie o seu espaço no impots.gouv.fr.
  9. Cadastre-se no France Travail se chegar sem emprego e já tiver documento que permita trabalhar.
  10. Planeje o francês A2 e o exame cívico antes do vencimento do primeiro cartão9.

Perguntas frequentes

Brasileiro pode trabalhar na França?

Pode, com o visto certo. As vias principais são o contrato com autorização de trabalho pedida pela empresa, o cartão Talent Cartão Azul para salários a partir de 59.373 euros brutos por ano e o visto férias-trabalho para quem tem de 18 a 30 anos56. Com passaporte europeu, não precisa de autorização.

Quanto custa o visto de trabalho para a França?

O visto de longa duração VLS-TS custa 300 euros desde 1º de maio de 2026, ou 100 euros na tarifa reduzida10. Depois, o primeiro cartão de residência custa 350 euros10.

Existe visto férias-trabalho França para brasileiros?

Sim. O acordo com o Brasil está em vigor, para quem tem de 18 a 30 anos6. O visto vale 1 ano e permite trabalhar para complementar a viagem6.

Quanto ganha um brasileiro na França?

No mínimo o SMIC, de 1.867,02 euros brutos por mês desde junho de 2026, cerca de R$ 10.4301213. O salário líquido mediano do setor privado é de 2.190 euros por mês14.

Precisa falar francês para trabalhar na França?

Na maioria das vagas, sim. E para ficar a longo prazo, o primeiro cartão plurianual exige francês nível A2 desde 20268. Algumas vagas de tecnologia em Paris funcionam em inglês.

Quais profissões estão em falta na França?

Cozinha e restaurantes, limpeza, cuidado de idosos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, engenheiros de TI e várias profissões da construção34. A lista oficial muda por região.

Como fazer currículo francês?

Uma página, título com o cargo buscado, sem dados como idade ou estado civil, idiomas com nível do Quadro Europeu e situação de visto clara. Mande junto uma lettre de motivation curta e personalizada.

Veja também os guias para trabalhar na Espanha, trabalhar na Itália e o guia geral para trabalhar no exterior.

Coloque em prática

Aplique as dicas deste artigo com a ferramenta gratuita da Epimoni: Analisar meu currículo (nota ATS grátis)


  1. INSEE, Informations Rapides n°192, desemprego no segundo trimestre de 2026, acesso em 10/10/2026. ↩

  2. INSEE, Informations Rapides n°223, desemprego por região, acesso em 10/10/2026. ↩

  3. France Travail, pesquisa Besoins en main-d'œuvre 2026, acesso em 10/10/2026. ↩↩↩↩↩

  4. Légifrance, arrêté de 21 de maio de 2025, lista dos métiers en tension, acesso em 10/10/2026. ↩↩↩

  5. Service-Public.fr, cartão de residência plurianual Talent, acesso em 10/10/2026. ↩↩↩↩↩

  6. CLEISS, programas vacances-travail, acesso em 10/10/2026. ↩↩↩↩↩↩

  7. Service-Public.fr, cartão de busca de emprego ou criação de empresa, acesso em 10/10/2026. ↩↩

  8. Service-Public.fr, contrato de integração republicana e níveis de francês, acesso em 10/10/2026. ↩↩↩

  9. Service-Public.fr, exame cívico obrigatório desde 2026, acesso em 10/10/2026. ↩↩

  10. Service-Public.fr, novas taxas de vistos e cartões desde 1º de maio de 2026, acesso em 10/10/2026. ↩↩↩↩

  11. Service-Public.fr, estadia longa de cidadão europeu na França, acesso em 10/10/2026. ↩↩

  12. Service-Public.fr, valor do Smic, acesso em 10/10/2026. ↩↩↩

  13. Banco Central do Brasil, conversor de moedas (PTAX de venda do euro em 09/10/2026: R$ 5,5844), acesso em 10/10/2026. ↩↩↩

  14. INSEE Première n°2079, salários no setor privado em 2024, acesso em 10/10/2026. ↩↩

  15. Service-Public.fr, período de experiência, acesso em 10/10/2026. ↩

  16. Service-Public.fr, plano de saúde complementar da empresa, acesso em 10/10/2026. ↩

  17. BOFiP-Impôts, BOI-RSA-GEO-40-10-10, regime dos impatriados, acesso em 10/10/2026. ↩

  18. France Travail, pesquisa BMO 2026, números nacionais, acesso em 10/10/2026. ↩

  19. BOFiP-Impôts, BOI-RSA-GEO-40-10-20, bônus de impatriação, acesso em 10/10/2026. ↩

  20. Service-Public.fr, cartão salarié ou travailleur temporaire, validação do VLS-TS, acesso em 10/10/2026. ↩

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